DEBAIXO DA CAMISA

DEBAIXO DA CAMISA

 

 

Algo interessante acontece com jogadores de futebol. Quando criança é vira-folha, torce “fielmente” pela equipe que estiver vencendo o campeonato. Perdeu, muda de time. A maioria das crianças não escolhe time, na verdade é escolhida e recrutada por algum time por meio de seus torcedores, geralmente alguém da família. Quando amadurece, o jovem faz sua escolha definitiva pelo mesmo ou algum outro e cresce torcendo apaixonadamente. Fanático, briga pelo time esteja bem ou mal na classificação. Torna-se jogador profissional do time do coração. Porém seu passe é posto à venda e vai para outro, logo o seu maior adversário, contra quem fez seus melhores gols e comemorou cada um com imenso prazer. Recebido em território inimigo, veste a camisa que tanto odiou, beija o brasão que tantas vezes queimou. Abre um sorriso diante das câmeras e promete dar tudo de si, fará o melhor pela nova equipe. É estranhamente desconfortável estar naquele clube, mas o salário é bem melhor. Está ali por necessidade, numa relação profissional. E como dizem… Pagando bem, que mal tem?

Coisa parecida ocorre por aí com inúmeros cristãos. Apesar de a maioria ter se tornado cristão na infância por influência dos adultos, ao alcançar certo crescimento espiritual muitos vestem conscientemente a camisa “eu sou de Deus!”. Defendem sua crença, brigam por sua bandeira. Têm aversão ao time adversário, pertencente ao príncipe das trevas, até que. Até que percebe que a torcida do time adversário é muitíssimo maior e mais organizada, faz uma bela festa. Até que o time adversário não é tão ruim como parecia, é muito violento, mas dizem que isto é garra. Não é o time do coração, mas lá os jogadores ganham fama rápido. E o salário é irrecusável. E o jovem vai se rendendo. Seu passe não está à venda, então abandona seu time. Seu preço vale tanto quanto sua cobiça, e se vende ao time do inimigo. Recolhe na lixeira os baixos valores que antes desprezava. Mas felicidade edificada sobre areia dura até que. Até que o jogador começa a ser jogado para o escanteio. Até que, colocado na reserva percebe que o brilho desta glória é tão efêmero quanto pó de glitter e que os valores que estão agora na sua lixeira é que são os verdadeiros e eternos.

Temos nas mãos o maior poder que o homem pode exercer: o da escolha. Se após rejeitar Deus, nos humilhamos e escolhemos voltar atrás, encontraremos na porta do antigo Clube o Presidente, que está sempre na torcida pelo nosso retorno à equipe dos santos, os separados para Deus. O Pai que está no céu vê o coração sedento pela proximidade de Deus e diz ao Filho: este é dos meus. O Filho mostra ao adversário o recibo do passe comprado por alto preço de sangue, resgata o novo filho e o entrega ao Espírito. 1 E o Espírito sela o filho de Deus e define a sua posição no time como jogador ou na equipe técnica, conforme o dom que libera a cada um. Na torcida inúmeros milhares de anjos comemoram a nova aquisição para o time.

No time da Luz não há estrelas, o passe de todos foi comprado do reino das trevas pelo mesmo preço. Somos igualmente amados, todos escalados para a Seleção de Deus e o Senhor e a nossa bandeira. 2 Mas Ele requer fidelidade. Não tem como dizer: “Senhor, estou jogando na outra equipe, mas estás no meu coração…”. Deus está em quem está nele, mergulhado nele por inteiro. 3 Não aceita coração parcial, esta bola Ele não divide com ninguém. Ele não se importa com a camisa, se o brasão é de um grupo cristão ou do outro, ele vê por dentro. E prometeu que um dia dará a todos os seus um único uniforme, todo branco. 4

Trevas versus luz. Federações sob governos tão divergentes trabalham com regras tão diferentes que mesmo um jogo amistoso torna-se complicado. Abrir mão de um direito em favor da paz: para um é falta grave, para o outro é gol de placa. Mentir para se dar bem: para um merece aplauso, para o outro é cartão amarelo. Para o time das trevas, enganar o Juiz faz parte do jogo, porém o time da Luz sabe que é impossível enganar aquele que vê o avesso. O time das trevas é truculento e mais astuto. O time da Luz é minoria e recebe pancada, mas isto não importa. O importante é a confiança na vitória com a mesma alegria e tranquilidade de quem revê o vídeo da vitória de seu time numa final. João viu o filme e revelou em detalhes no livro de Apocalipse. 5 Satanás já sabe que é derrotado. Então, filho da Luz, está desanimado por quê? Tem medo de quê? Jesus garante nossa goleada final!

Por isso pare de dar carrinho ou cotovelada para defender sua fé, Jesus não precisa ser defendido, é Advogado, ele é que nos defende. 6 Você não tem que entrar em discussões tolas a fim de defender título algum, Jesus já conquistou para você o maior título que alguém pode ter: filho de Deus! Simplesmente honre esta conquista fazendo o que um filho de Deus deve fazer: amar a Deus acima de tudo e ao próximo com a mesma porção de amor que reservar para si. Testemunhe com atitudes, isto é driblar com ginga e jogar com arte.

A questão é: debaixo de sua camisa, por quem pulsa seu coração?

 

REFERÊNCIAS:

1 – 1 Pedro 1:18,19

2 – Êxodo 17:15

3 – João 15:4 e 17:21

4 – Apocalipse 7:9

5 – Apocalipse 19 e 20

6 – 1 João 2:1,2